quinta-feira, 31 de março de 2016

O “Diamante negro” é plantado na Amazônia e prospera imigrantes japoneses em Tomé Açu!!!

“Campos de golfe, Torneio de sumô, danças típicas orientais, diálogos em japonês, fazem parte da rotina de um pedaço da Terra do Sol Nascente na Amazônia”



Segundo Violeta Loureiro, na sua construção da História Social e Econômica da Amazônia, refere-se que, no ano de 1926, se dirigiu ao Pará um grupo de cientistas japoneses que tinham como missão localizar áreas nas quais pudessem ser instaladas colônias agrícolas e, a partir delas, dinamizar a economia através do desenvolvimento de culturas, assim como de práticas modernas de cultivo. O resultado do trabalho levou à identificação de áreas no Estado do Amazonas (em Manacapuru) e no Estado do Pará (Baixo Amazonas, Santarém e Tomé-Açu).
Com a implantação da Companhia Nipônica de Plantação do Brasil em 1929, chegaram os primeiros colonos japoneses (42 famílias, num total de 189 pessoas) as mesmas que, amparadas por certo volume de capital, assim como por uma tradição milenar na agricultura, foram instaladas na região.
No início as famílias plantavam arroz e hortaliças, onde encontraram o desafio de escoar a produção. Diante da floresta ainda inexplorada, muitos desses imigrantes não resistiram ao clima e à malária. Alguns deles arrumaram as malas e voltaram ao Japão, descrentes na prosperidade financeira e, principalmente, nas peculiaridades do local. Em Tomé-Açu, naquela época, a Nantaku (Nambei Takushoku Kabushiki Kaisha) era o órgão responsável pela orientação desses imigrantes. Eles não tinham conhecimentos técnicos específicos e simplesmente eram estimulados a plantar produtos perenes.


Porém, em 1933, Makinosuke Usui, coordenador de imigrantes da Nantaku, mudou esse cenário. De uma viagem rápida à Singapura, por conta da doença de um dos imigrantes, trouxe no navio 20 mudas de pimenta-do-reino. Resolveu plantá-las em Tomé-Açu, que àquela altura ingressava numa maré de declínio com os limites para concessão gratuita de terreno de plantação, bem como da entrada de imigrantes no país. Das mudas trazidas por Usui apenas duas sobreviveram. Com o tempo, muitos japoneses foram plantando a especiaria. Nas décadas seguintes, até o fim dos anos 60, Tomé-Açu conheceu a bonança da pimenta-do-reino, agora batizada de “diamante negro” da Amazônia. Nesse período, o município tornou-se o maior produtor mundial da especiaria, com o cultivo de cerca de cinco mil toneladas por ano. Abasteceu o mercado nacional, além do exterior; mesmo com o declínio dessa agricultura, Tomé-Açu continua hoje no alto do pódio de maior produtor de pimenta-do-reino do Brasil. Atualmente, a pimenta-do-reino é exportada pela Camta para Alemanha, Estados Unidos, Japão, Argentina, Holanda e França. No ano passado, foram exportadas 850 toneladas com uma injeção de 
R$ 6 milhões na economia local. Além de Tomé-Açu, há produtores em Paragominas, Ipixuna, Santa Izabel, Santo Antônio do Tauá, Santa Maria e outros.



Mesmo suas plantações sendo atacadas pela fusariose, na década de 70, os japoneses não desistiram da pimenta-do-reino, combateram a doença, mas isso abriu oportunidades para os imigrantes japoneses começarem o cultivo de outras culturas tropicais, como a açaí, também chamado de "diamante negro", onde o Pará se destaca como principal produtor da fruta. O crescimento das exportações do açaí foi de tal forma que chegou a despertar atenção de grandes jornais como o francês “Le Monde” e o norte-americano “The New York Times”.
Através dos japoneses a região também se transformou na maior produtora brasileira de acerola do Brasil. Sendo na região do Nordeste Paraense a principal referência.


Também pela decadência da pimenta-do-reino por causa da fusariose na década de 70 os imigrantes japoneses começaram a plantar cacau, que ganhou destaque e fez de Tomé-Açu o 6º maior produtor do estado. Sendo que quase 100% de todo o cacau produzido em Tomé-Açu segue o Sistema Agroflorestal, o SAF, tornando Tomé-Açu referência internacional em agricultura sustentável. Desde 2008 os agricultores nikkeis de Tomé-Açu produzem o cacau fino de qualidade tão alta quanto ao produzido na Venezuela.
Moram hoje em Tomé-Açu 274 famílias de japoneses. A última chegou em 1978. "A colônia deu certo porque ficou aqui sessenta anos e se manteve muito unida", diz Tsonoda. A associação cultural fornece 800 fitas de vídeo japonesas para a comunidade (tem até vídeo erótico), promove festas e administra a escola de língua japonesa, com nove professores. Na comunidade nipônica de Tomé-Açu não existe um analfabeto sequer. Nem todos sabem ler e escrever em português. Mas todos sabem japonês.
Fonte: Wikipedia/ Adoniram Melo/ DOL// Fotos Divulgação, internet 


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