segunda-feira, 20 de junho de 2016

NAVIO PRESIDENTE VARGAS - O Titanic dos anos 70 na Amazônia

Uma época de ouro na navegação amazônica, que levava turistas para conhecer as belezas dos rios nativos. Ecos de um passado de prosperidade. 


A misteriosa história de um navio feito na Europa, de luxo nunca visto no norte do Brasil, poltronas de couro, ar condicionado, com capacidade para 500 passageiros que antes de naufragar, permitiu que todos os passageiros desembarcassem tranquilamente no cais e depois afundou, gerou uma  história incrível e que até hoje causa muita polêmica, conhecida como o Titanic da Amazônia.
Houve um tempo em que navios fabricados na Europa ligavam Belém a toda a grande região da Amazônia. Dentro, a classe popular em suas redes convivia de maneira pacífica com a classe executiva em seus camarotes, salas de leitura e restaurante. Parte deles naufragou nos rios, parte virou ferro velho, condenando ao esquecimento um capitulo muito especial na história desta terra.
Apogeu e Decadência - Os navios da chamada Frota Branca, eram as jóias mais especiais da Enasa, a Empresa de Navegação da Amazônia. Foram os mais luxuosos e velozes que já passaram por aqui, vindos da fabrica da Holanda, atendendo o Marajó e o baixo amazonas, com capacidade para levar até 500 passageiros cada.

As Jóias que faziam a riqueza da Enasa, tiveram fim trágico e decadentes.


Depois de uma vida relativamente curta e de muitos serviços, tiveram fins trágicos como a Empresa que sumiu nos desvios e descontroles públicos do país. O navio Leopoldo Perez, ao navegar pelo estreito de Breves, foi abalroado por uma corveta da Marinha, afundando imediatamente. Apesar de ser a noite e estar com cerca de 400 passageiros a bordo, inexplicavelmente, não houve vítimas.
O Lobo D'Almada, e Lauro Sodré acabaram abandonados em um dos portos a margem da Baía do Guajará, num cemitério de navios, em virtude de uma disputa judicial. O Augusto Montenegro acabou quase totalmente no fundo da baía de Guajará, próximo ao barranco de Miramar em Belém.
O último a ser apresentado, o Presidente Vargas, foi o mais luxuoso e o primeiro a deixar a Frota. O Presidente Vargas tinha três classes distintas, ar condicionado.
Um naufrágio sem nenhuma vítima (?)
Era domingo, 4 de junho de 1972, às 21 horas, no Porto de Soure, na ilha do Marajó. Havia desembarcado toda a sua lotação de passageiros. No misterioso naufrágio onde não houve vítimas, rumores falavam em crime premeditado por obscuras razões, considerando que ele tinha recentemente passado por reformas. O navio "fez água" calmamente, a ponto de passageiros e tripulação poderem sair ilesos do "Presidente Vargas".
As circunstâncias do naufrágio - nunca esclarecidas - e as tentativas frustradas de retirá-lo do fundo do rio Paracauary apontam para um "naufrágio calculado", na opinião de um especialista da área.
Um naufrágio que ficou conhecido como o do Titanic da Amazônia. Era considerado a mais suntuosa embarcação de toda a bacia amazônica. Com poltronas de couro, cada uma com cinzeiro, o navio tinha cara de iate. Seus amplos compartimentos e largos corredores se assentaram no imaginário de quem viveu a época. Sucateada e mal administrada, a Enasa passou para o controle do estado do Pará no final da década de 1990. 

Um comentário:

  1. Eu estava nesse dia do naufrágio. Foi em 1972. Eu tinha 7 anos de idade. Fui com minha mãe e avó e uma amiga da minha familia alugar uma casa em Soure para as férias do mes de julho. Iamos voltar nele para Belém no outro dia. Mas ele chegou de Belém com muita agua dentro já. Lembro dele no cais e naufragando por volta das 10h da noite. Nunca esqueci essa cena. Tivemos que voltar de avião. Hj tenho 51 anos.

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