quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Perfil- Helly Pamplona, o embaixador da Amazônia!!!

"Parceiro da revista Via Amazônia, o renomado fotógrafo Helly Pamplona mostra  o que é ter amor pela profissão. E revela os muitos motivos de sua paixão pelos animais e pelo paraíso verde, a Amazônia. Confira".



Nascido em uma fazenda no Marajó, desde pequeno Helly Pamplona se interessava por fotografia. A tia, irmã do pai, era fotógrafa. O médio formato, os negativos imensos, o processo artesanal, tudo despertava a curiosidade do menino. Aos 12 anos Helly comprou sua primeira câmera e chegou a dormir em cima das caixas d'água da fazenda só para não perder o nascer do sol.
  O equipamento simples estimulava a criatividade, um sopro na lente e as irmãs eram retratadas na atmosfera embaçada de um sonho. 


Maravilhas na natureza- Até que um dia, às margens do rio Gurupi, em uma seqüência mirabolante de eventos, daquelas que só o destino apronta, uma moça bonita reforça o nó do biquíni durante a sessão de fotos ao mesmo tempo em que um peixe realiza uma seqüência de saltos ao fundo. O fotógrafo que já estava com o equipamento montado resolveu, muito desinteressadamente, clicar a performance. Qual não foi sua surpresa quando a revelação mostrou que a verdadeira estrela da foto não era a pescada exibida, mas o peixinho que ela perseguia no exato momento do clique.Se fosse pescador Helly Pamplona certamente seria considerado dos mais mentirosos, mas como é fotógrafo, usa o trabalho para confirmar os muitos 'causos' que tem para contar. Das criaturas estranhas que já encontrou pela mata, entre bichos em extinção e insetos que mais parecem seres de ficção-científica, até agora ele só não fotografou o curupira... Ainda!




O embaixador da Amazônia naquela época já possuía um acervo muito bom de fotos de natureza, por isso fui incentivado a  tentar a vida na capital, Belém. Toda a grana que pegava, investia no trabalho dentro do mato, mas não pensava nunca em viver de fotografia de borboleta, de gafanhoto, de lagarto, de cobra, nada disso. Era uma coisa que Helly Pamplona  fazia como uma terapia, uma coisa prazerosa, sem fins lucrativos. Por uma das obras do destino, quando começaram a ir fotógrafos para a cidade onde ele morava, eles eram renomados na capital, mas não tinham habilidade. Eles queriam fazer foto de caranguejo, mas não acertavam, o barqueiro não parava, por isso eles o procuravam e Helly, vendia as fotos para eles por "besteirinha". Até que uma fotógrafa perguntou o que ele estava fazendo ali com aquele material, porque as fotos eram lindas. Ela pediu para ver a câmera e se impressionou ainda mais, pois era uma Pentax K1000, com uma lente 50 mm, toda amarrada com fio porque ele não tinha grana para nada. Ela ficou impressionada com o artista que conseguia compensar a ineficiência do equipamento com a habilidade no mato. "A minha lente era uma 50 mm para fotografar o rosto das pessoas, mas eu conseguia fazer tocaia, então, mesmo não tendo zoom, eu fotografava bem de perto os ninhos de pássaros, eu sabia onde os animais saíam para beber água, eu identificava as patas. Parecia que eu tinha um mega-equipamento quando na verdade era uma camerazinha bem simples, recorda o artista da fotografia. Helly lembra que; "assim eu resolvi desembarcar de vez na capital, mas foi difícil. Peguei meu álbum e vim embora. Quando cheguei eu comecei a ir nas agência de publicidade, pois haviam me indicado que eram elas que compravam fotos de natureza, mas quando eu chegava, os caras da recepção mesmo me diziam que já tinham muitos fotógrafos e não queriam nem conversar comigo. Isso aconteceu em várias agências, não vou citar nomes, mas da porta mesmo me mandavam embora. Teve uma hora que começou a me bater o desespero porque eu já não tinha grana, estava em uma situação difícil e queria ir embora para o interior de novo, lá eu pelo menos tinha o peixe assado para comer", ele recorda.Mas a Mão de Deus interviu; "Um dia eu fui para o lançamento de um livro do Paes Loureiro e eu digo que ele é uma pessoa que me trouxe muita sorte. Me ligaram para fazer umas fotos dele assinando os livros, dando autógrafos, quando eu cheguei lá vi um banner imenso do Banco da Amazônia que estava patrocinando o evento, no qual havia a foto de um barco, toda mal feita, uma foto que eu teria rasgado. E eu pensei 'se o Banco da Amazônia compra uma foto dessas, ele vai comprar minhas fotos, eu vou lá amanhã'. 



O talento é descoberto- "Chegando na recepção me perguntaram se eu tinha marcado hora e eu disse que não, que eu era um peregrino e se desse eu gostaria de conversar com alguém, mas se não desse eu iria embora. A moça então ligou para o marketing e avisou a gerente que eu estava lá com umas fotos da Amazônia para mostrar, e assim me mandaram subir.", conta Helly. A gerente de marketing chamou uma outra pessoa para olhar as fotos junto com ela e as duas começaram a rasgar papel e colocar dentro das páginas do álbum. Ela perguntou por quanto eu vendia cada foto, mas eu não tinha noção de valor de nada, por isso ofereci por 400 reais. Ela disse que não poderia pagar tanto, então fizemos um acordo de que ela me pagaria 250 reais por cada uma e nesse dia eu vendí 15 mil reais em fotos para ela. Não consegui dormir de tão feliz e logo comprei uma câmera top de linha, resistente à água, investi no equipamento. A partir daí a coisa já melhorou. Começaram a reconhecer o meu trabalho, eu comecei a fazer banners para o Banco e outras pessoas também passaram a me procurar quando precisavam de fotos da Amazônia. Meu conhecimento sobre os bichos e a mata, é que eu nasci no interior, conheço hábitos dos animais e todos eles têm uma função na natureza. O morcego distribui sementes na floresta, nos temos uma árvore aqui chamada Cutieira que depende da cutia, porque quando ela solta o fruto ele vem envolvido em uma casca muito resistente e se você deixar por conta dele, até que a casca se quebre a semente já está estragada, então ela depende da cutia para comer a casca para que a semente fique exposta. E o caçador que mata a cutia não sabe que essa árvore vai ser extinta porque ela precisa desse animal para sobreviver. A natureza está toda em cadeia, em harmonia, mas infelizmente hoje é difícil o homem entender isso.





Animais em extinção- "Eu me sinto um privilegiado, às vezes acho que sou uma pessoa iluminada por Deus, porque eu estou sempre no lugar certo. Eu tenho foto de ararajuba, galo-da-serra, uirapuru, anacã, que é um papagaio raríssimo, são coisas preciosas que nós temos que ter a responsabilidade de zelar". Helly Pamplona.  




Perigos da profissão- "Eu tive a felicidade de fotografar um beija-flor do tipo besourinho, que eu vi em uma matéria na televisão dizendo que há 70 anos ele estava em extinção. Eu tive muita sorte, pois o trabalhar com a natureza é arriscado, é perigoso, requer conhecimento da floresta, não pode ser feito por qualquer pessoa. Eu levei um dia desses uma moça que queria porque queria ir comigo, ela meteu a mão em um buraco e uma aranha grudou na mão dela, saiu toda a pele, então tem que ter cuidado, não se mete a mão em buraco, não se anda perto de toiceira de mato, oco de pau, a partir das cinco horas da tarde é muito perigoso dentro da floresta porque muitos animais saem para caçar. "Eu já peguei quedas de árvore, mas com bicho eu sou muito cuidadoso. Eu já levei picada de aranha, já passei a mão sem querer em lagarta e tive alergia, mas nada muito perigoso. Sempre uso botas grandes por causa de cobra, pois já perdi alguns amigos e parentes assim, então como dizem na linguagem cabocla, eu sou muito 'cabreiro' com esse negócio de bicho. A partir das cinco da tarde você já tem que estar quieto no abrigo. Eu já passei dois dias perdido no mato, tive que beber água cheia de girino para não morrer de sede e tomar leite de sucuba. Tem um cipó chamado macaca-cipó que você corta e ele dá litros e litros de leite e não faz mal, pode beber. Tem também água de sororoca, que é uma espécie de bananeira cheia de água dentro. No verão, onde tem aninga a terra pode estar seca, torrada, mas se você cavar no pé dela sempre tem água. Para comer eu sempre levo fósforo e isqueiro, porque no verão, dentro dos troncos ocos dos igarapés sempre tem peixe, acari, traíra, tamoatá, eles se escondem lá, você pega e assa, eu sei fazer arapuca e, além disso, toda fruta que macaco come não faz mal para você". Helly Pamplona.


 Tecnologia-"A fotografia perdeu um pouco do encanto com essa questão do digital. O cara pega uma garça e bota no galho, a onça está de olho fechado e ele manda abrir, eu acho horrível. O meu trabalho nunca teve isso, se você olhar meus instrumentos eu não tenho filtro, não tenho polarizador, não uso artifício nenhum. Tem pessoas que colocam filtro alaranjado, filtro lilás na lente para interferir, não fica legal. Para mim é como comer um alimento enlatado ao invés de comer natural. 



A natureza é bela por si própria, não precisa de artifício nenhum". Helly Pamplona   

2 comentários:

  1. Exatamente o melhor, o mais comprometido, aquele que não mede esforços para capturar a beleza da natureza que Deus criou. Um ser abençoado que nos proporciona maravilhar-se com a arte de seus focos. Parabéns mil vezes, Helly Pamplona

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