quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

A VERDADEIRA HISTÓRIA DA ESTRADA DE FERRO DE BRAGANÇA!!!


"Relato de fatos inéditos, pouco revelados, mostra as razões políticas e econômicas, que motivaram a criação da estrada de Ferro que serviria como elo de ligação de Belém até a capital do Maranhão. Mas nada disso aconteceu..."
* HISTÓRIA DOCUMENTO


Um começo quase tímido de uma saga ferroviária que parecia ser eterna. Foi assim que por exatos 82 anos (1883–1965), a Estrada de Ferro Belém-Bragança teve um importante papel socioeconômico para o Estado: ajudava e muito no escoamento da produção agrícola dos municípios do nordeste paraense até o porto de Belém, um apogeu que aconteceu principalmente na época da borracha.
A história da famosa Estrada de Ferro é diferente, pois tem sua origem no mar. Tudo começou no século passado, em 1616, a época em que Francisco Caldeira Castelo Branco aportou em Belém. O navegador português encontrou a cidade já estabelecida, com comerciantes holandeses, ingleses e açorianos, motivando outros povos vindos de países diferentes, inclusive portugueses, a tentarem a sorte na cidade recém-descoberta. Dessa aglomeração em busca de qualidade de vida melhor, em termos financeiros, foram surgindo outros núcleos habitacionais. A exemplo do Distrito de Souza do Caeté, a futura Bragança. 


O trem parte em busca de grandes negócios e oportunidades

A cidade de São Luiz, no Maranhão, era o Polo de abastecimento e comércio mais valorizado na época para os paraenses e comerciantes da cidade. Ocorre que as comunicações por mar, por terra e por via fluvial eram difíceis. Ao longo do caminho, foram formando-se pequenos povoados, como Castanhal, Igarapé-Açu, Timboteua e Capanema.
Somente no final do século 19 é que o Governo da Província do Pará resolveu-se pela construção de uma estrada de ferro na região, quando esta já tinha produção agrícola razoável, em contrapartida, uma imensa dificuldade de escoamento. A Ferrovia deveria ligar Belém a São Luiz do Maranhão
 Em 1870 foram feitas negociações nesse sentido. Após várias demoras e desistências, ‘enrolações’ próprias da máquina burocrata, a obra começou em meados de 1883. Em 24 de junho de 1884 foi inaugurado o trecho inicial até a colônia de Benevides e em 1885, a Apeú. O trecho seguinte até Jambu-Açu, a 105 km de Belém, foi completado em 1897. Até 1907, a ferrovia avançou mais 31 km e em 1908 chegou a Bragança, seu objetivo mais importante. O que pouca gente sabe, e revelamos agora, é que São Luiz do Maranhão, a meta definitiva e razão de ser da Ferrovia, era um sonho distante, pois a Estrada de Ferro paraense não atingia 300 km de extensão.
A essa altura da narrativa, a Ferrovia, que dava muita dor de cabeça administrativa por ser sempre deficitária, tentou-se arrendar em 1900. A ganância dos gestores e sócios da empreitada fez vislumbrar que o desenvolvimento na região por ela percorrida compensava os prejuízos, resolveu-se por um empréstimo externo no valor de 650 mil libras esterlinas.
Ato falho, em 1923 a Ferrovia teve que ser repassada para a União e o Estado tornou-se seu arrendatário até 1936. A partir daí, passou de vez para administração federal. Em 1965, em péssimas condições de operação, a Ferrovia foi obrigada a calar o apito da velha Maria Fumaça. E a estrada de Bragança, que originalmente foi feita para chegar até São Luiz do Maranhão, centro econômico promissor, começou a virar ruínas de uma história mal planejada.A Ferrovia iniciava no Mercado de São Brás, em Belém, e seguia até Bragança em mais de 220 quilômetros de trilhos que cortavam os 13 municípios da região. Desativada há mais de 50 anos, ainda hoje ela é lembrada pelos seus trilhos, estações e a Maria-Fumaça que encanta os moradores, na Praça da Estrela, no município de Castanhal.


A estrada de ferro contribuiu para o crescimento populacional e econômico da região bragantina, pois o objetivo inicial era a colonização agrícola com açorianos e espanhóis ao longo do percurso. Muitas paradas tornaram-se vilas e contribuíram para a urbanização das cidades que surgiriam depois. O contingente populacional foi aumentando, sobretudo com a chegada de nordestinos. Esse é um dos maiores impactos sociais na região com o advento da estrada. ‘Economicamente houve um impulso na diversificação da economia paraense, cuja atividade mais dinâmica era fundada nos negócios da borracha. Então, a desvalorização da borracha no mercado mundial fez com que a Ferrovia fosse fechada, porque o governo já não mais dispunha dos recursos necessários para custeá-la', explica o historiador paraense Luciano Oliveira.




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