sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

A sobrevivência e o cotidiano do homem da Amazônia!!!

"Com perseverança e muita criatividade, o sustento  familiar ficou garantido na vida rural amazônica"


Santarém é considerada pelos moradores, uma cidade com grande potencial. Parte dos habitantes da conhecida cidade "Pérola do Tapajós", ainda vive e depende do trabalho de lavoura, no campo e na zona ribeirinha. Um trabalho que exige muito esforço e dedicação, contando praticamente com recursos naturais que a própria floresta proporciona as famílias que se empenham neste estilo de vida. 
Nossa equipe registrou, em edições passadas, a vida e sobrevivência de um casal simpático e humilde que desenvolveu  suas atividades na área rural de Santarém. Seu Antônio Sebastião Viana de Souza, conhecido como Sabá e sua esposa Ocileide, que hoje moram sós, pois já criaram e encaminharam seus três filhos que vivem suas vidas independentes e bem sucedidas. Tivemos o privilégio em ficar hospedados por alguns dias em sua casa em Santarém, acompanhando de perto um estilo de vida cheio de criatividade, ideias e meios de sobrevivência.

Casados há 31 anos, Sabá e Ocileide, criaram seus três filhos de uma forma muito simples e humilde, proporcionando-lhes um futuro digno e de possibilidades. Sabá conta que foi preciso sair de Santarém algumas vezes para trabalhando como encanador e metalúrgico, mas foi com os trabalhos rurais em Santarém que teve uma vida de desafios e resultados. O trabalho na colônia começou com a plantação de cana de açúcar em um pequeno sitio há 35 quilômetros de Santarém, adquiridos com muitos esforços e economia. Quando a plantação de cana de açúcar estava pronta para colher, o casal conseguiu comprar uma engenhoca, maquina usada para retirar a garapa da cana. Dona Ocileide acordava às três e meia da madrugada para fazer o café, às quatro horas começavam a extrair da cana de açúcar o caldo da garapa que enchiam os litros para vender na comunidade; depois de um tempo começaram também a fazer melado do caldo de cana para preparar o mel de cana, muito bem consumido pela população. Isso fez com que seu Sabá tivesse a ideia em adquirir um engenho, no objetivo em ampliar sua produção, pois a procura do mel de cana aumentava a cada dia, isso aconteceu há 22 anos atrás. Sabá negociou com um amigo algumas peças de um antigo engenho, mas faltavam muitas outras, o jeito era confeccionar manualmente cada peça que faltava, mas as dificuldades eram grandes e a energia elétrica do sítio não tinha força suficiente para movimentar as engrenagens, necessitava de autos custos dos serviços de tornearia e de recursos financeiros, eram muitos os detalhes e peças para conclusão do engenho. Isso tornou inviável a produção do mel, pois na medida em que a produção aumentava os custos também se elevavam: aluguel de um engenho, o transporte da cana, mão de obra para beneficiar o canavial, etc... O trabalho com o mel de cana se tornou inviável sendo preciso então deixar o sonho do engenho de lado por todo esse tempo. Mas a perseverança em dar boa educação e bom sustento para os filhos não ficaram de lado. Uma jornada de perseverança, boas ideias e muito trabalho, estava só começando na vida e na família de seu Sebastião. 
Foi então que o beneficiamento e a venda do açaí foi adotada como uma boa alternativa para ajudar o sustento familiar, foi preciso uma boa dose de ideia e criatividade para seu Sabá melhorar seus ganhos financeiros neste período, Alison seu filho, começou a  trabalhar como ajudante em uma pequena fabrica de vassoura, mas que logo foi a falência. Passando-se alguns dias Alison passou a ideia de fabricar as vassouras para seu pai que de início teve dúvidas, mas topou. No fundo do quintal da casa montaram um prensa improvisada e começaram a fazer as vassouras, como seu Sabá já tinha a experiência em vender garapa, mel de cana e açaí, não foi difícil comercializar a produção de vassouras, Alison também teve a ideia em comprar um "rodo" para desmontar e aprender a fabricar. O negócio estava dando certo e gerando investimentos em equipamentos e matérias para aumentar a produção, chegavam a fazer varias dúzias de vassouras e rodos por dia, um trabalho de equipe em família que dava muito resultados. Depois foi a vez de fabricar ancinhos e cabos de ferramentas agrícolas. Sua esposa e a filha Darlen confeccionavam flanelas e sacos de coar café. 

A improvisada fábrica de vassouras já contava com uma gama de produtos domésticos e cresceu de uma forma que não comportou mais no quintal da casa, sendo transferida para um barracão no sitio. Seu Sabá conseguiu adquirir um maquinário suficiente para a fabricação de muitas outras coisas como; cabos e bases de vassouras e rodos para outras fabricas. Hoje os filhos de "seu" Sabá já não dependem mais do trabalho rural, mas são gratos pelo pai e a mãe que não mediram esforços para dar-lhes o melhor. Hoje seu Sabá também fabrica peças importantes da agricultura familiar, uma delas chama-se “catitu” peça de madeira que tem nome de bicho e serve para triturar a mandioca na fabricação da farinha. Os trabalhos hoje contam com seu Sabá e Hugo seu ajudante, juntos mantêm a fabrica de vento e poupa. O casal ainda cria algumas cabeças de gado e cultivar macaxeira, milho, cupuaçu e cana de açúcar. 
Seu Sabá e esposa estiveram também no Rio de Janeiro, para assistir a formatura de Sargentos da Marinha, onde seu filho Marquinho também fez parte. Para o filho um sonho realizado, para os pais uma realização de anos de dedicação. Mas outra realização que Sabá esta preste a realizar é o funcionamento do tão sonhado engenho, pois já conseguiu concluir uma caixa de engrenagens para redução de força para dar conta de funcionar seu engenho. Tudo em seu devido tempo, mas com muita Fé, a família comemora a generosidade que Deus teve com eles, e o sucesso que obtiveram em uma terra fértil como a Amazônia. 

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