quarta-feira, 21 de outubro de 2015

O COTIDIANO DE UMA NAÇÃO CHAMADA AMAZÔNIA

HOMENS NASCIDOS E CRIADOS EM BEIRA DE RIOS


É assim a grande nação Amazônica. De um lado, a humildade e o olhar caboclo, contrastando com o sentimento de grandeza de quem não tem consciência que prejudicando a floresta, está acabando com a própria vida.
Os ribeirinhos são homens, mulheres jovens e crianças que nascem, vivem e se criam na beira do rio, também denominados “caboclos”. A maioria possui descendência indígena e um modo de vida nativo. O tipo físico também se associa á pele. Eles possuem cabelos e olhar desconfiado de indígena e o modo de falar lembra em boa parte o vocabulário Tupi.
Mesmo morando em lugares que parecem o Paraíso divino, por conta da infinidade de belezas e recursos naturais de sobrevivência, a grande maioria dos amazônidas possui escolaridade precária, alguns mal sabem escrever o próprio nome.
A verdade é que menos de dois terços da população ribeirinha é frequentou salas de aula, outros sequer passaram pela cartilha de ABC.

Se murmurar trouxesse solução, com certeza esses anônimos não adotariam essa condição, o sangue que corre em suas veias faz pulsar um coração guerreiro. Ao final da tarde, tudo o que esperam em forma de bênçãos do Criador é que as armações que fazem para pescar- “currais”, estejam cheios do pescado, e que o momento de “despescar” seja motivo de felicidade pela variedade encontrada.
O mandamento passado de geração em geração, prega que a pesca farta e sem escassez, salvo por uma grande seca, coisa que raramente acontece, reflete a generosidade e o amor de Deus aos ribeirinhos. E assim creem, por obra e graça de quem sobrevive do produto encontrado em águas de rios.



SEU OZIAS MOSTRA QUE A PESCA ARTESANAL DÁ SUSTENTO PARA  SEUS 10 FILHOS, COM SOBRA DE TEMPO PARA CANTAR MÚSICAS REGIONAIS

Ozias Ribeiro Rodrigues, pai de dez filhos, que ele com muito orgulho diz que criou com sua pesca, é homem de rio dos mais requisitados e mais conhecidos em Terra Santa. Vivendo da pesca e tirando seu sustento do rio, seu Ozias, como todos o chamam, disse a equipe da revista Via Amazônia que há oito anos trabalha especificamente com peixes, apesar de ter experiência de mais de dez anos com agricultura por outras localidades onde passou com a família.
Ao som do violeiro Raimundo Cardoso Bentes, que conta causos em estilo repentista e que expõe sua cultura musical improvisada, seu Osias se ressente que no município o rio não se mostra amistoso quando se trata de suprir as necessidades de quem dele depende para tirar seu sustento, justificando assim seus murmúrios e queixas: “Principalmente na época das cheias, quando vai baixando a água, a pesca fica mais fácil”, desabafa o experimentado pescador.
De arpão, 'seu' Osias, confessa que usa para pescar Pirarucu, apesar de tecer malha fina e grossa, usada em seu trabalho diário. Os peixes “lisos”, entre eles o Tambaqui que ele captura diariamente, são levados para consumo até em restaurantes de Santarém e outras localidades.
Ele recorda épocas de muita fartura, “certa vez pegamos quatro toneladas de Tambaqui, mas tivermos que soltar”. E assim, contam seus causos e por consequência contornam dificuldades que para o homem da cidade seriam difíceis em solucionar;viver sem assistência de saúde digna e longe das estatísticas das ações de politicas públicas, traçadas e “planejadas” com dados fora da realidade, em gabinetes climatizados, assim o ribeirinho vive seu dia-dia sob o sol e a chuva, que lhes castiga o corpo, e nem sempre com vistas a esperar por distantes dias melhores.

UMA TERRA DE RIQUEZAS MINERAIS

ONDE NATIVOS CONTINUAM VIVENDO

DOS RECURSOS NATURAIS DA FLORESTA

Um verdadeiro contraste, pois na verdade os chamados recursos encontrados na floresta minerais e hidrelétricos, pouco ou nada significam para quem vive de caça, pesca e da extração de legítimos recursos naturais.
Energia alternada com minério faz a riqueza de uma região que nem sempre possui da União a atenção mais que merecida. E quem sofre com isso é o povo que tem suas raízes caboclas e a sina de ser eterno batalhador.
Os royalties ou impostos cobrados para os exploradores, nem sempre entram em orçamentos municipais. Para estes nativos, respeitar a natureza e não degradar o meio onde vivem é o principal mandamento na Carta Magna escrita pela Mãe Natureza, inspirada por Deus.



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