sábado, 17 de outubro de 2015

Entenda os riscos de usar celular dentro do avião


Pela atual legislação brasileira, o uso do telefone celular é proibido em todas as fases do voo e também no pátio do aeroporto, no trajeto entre as salas de embarque/desembarque e a aeronave, sendo, todavia permitido a bordo do avião quando o mesmo está no solo, com as portas abertas e os motores desligados.
Para se entender a proibição do uso do celular a bordo, é preciso entender primeiro o que é um telefone celular. Ele nada mais é do que um sofisticado aparelho de rádio, que recebe e transmite ondas eletromagnéticas de e para antenas no solo, cada uma delas capaz de receber e retransmitir sinais, com alcance limitado a uma determinada área, denominada célula, daí o nome de telefone celular (em Portugal, chama-se telemóvel).
As ondas eletromagnéticas recebidas e transmitidas pelos aparelhos estão em diversas faixas de frequência, na banda denominada UHF (Ultra High Frequency - Frequências Ultra Altas), mais precisamente nas frequências de 415 MHz, 900 MHz e 1,8 GHz, com pequenas variações entre as diversas regiões do mundo, isso para o sistema digital.
Mesmo em modo de espera (stand-by), os aparelhos se comunicam  frequentemente  e automaticamente com as antenas de terra, para manter o contato com a rede. A potência de transmissão do aparelho varia automaticamente com a distância entre o telefone celular e a antena de terra. Pode variar entre 20 miliwatts até 3 watts. Quanto mais distante a antena, mais potência é requerida para que a comunicação seja estabelecida e mantida.
Isso pode ser facilmente percebido por qualquer usuário de telefone celular. Quando o mesmo é utilizado dentro da área urbana, próximo das antenas, a bateria dura muito mais tempo, pois uma potência muito baixa é exigida para estabelecer a comunicação com uma antena. Mas quando o celular é utilizado em uma viagem, por exemplo, a bateria esgota sua carga rapidamente, pois o aparelho tem que transmitir com maior potência para estabelecer contato com uma antena mais distante.

A possibilidade de uma onda eletromagnética transmitida por um celular interferir em algum sistema do avião é tanto maior quanto maior for a potência do sinal, e aí é que pode ocorrer algum problema, pois um avião em voo quase sempre estará muito distante das antenas. Na maior parte das vezes, na verdade, estará fora do alcance das mesmas. Mesmo assim, um aparelho em stand-by emitirá sinais continuamente, na máxima potência possível, tentando encontrar uma antena, pois foi projetado para isso.
Outra questão importante refere-se ás frequências utilizadas pelos sistemas de telefonia celular e a transmissão de dados, tanto por ondas eletromagnéticas tanto por cabos, dentro de uma aeronave ou entre a aeronave e o solo. Obviamente, a faixa de frequências utilizada nos celulares não é a mesma utilizada para transmitir dados entre os computadores do avião ou para os seus sistemas de navegação.
Teoricamente, não deveria haver interferência, pois os sinais são transmitidos em frequências precisas e devidamente autorizadas e certificadas. Na prática, porém, as coisas são muito diferentes, devido à existências das ondas harmônicas. Uma onda harmônica é gerada em frequências que são múltiplos inteiros da frequência fundamental. Ou seja, um aparelho que transmita uma onda eletromagnética de 20 KHz também vai transmitir ondas harmônicas de 40 KHz, 60 KHz, e assim por diante, embora mais fracas que a onda da frequência fundamental.
Eventualmente, a frequência de uma dessas ondas harmônicas pode coincidir com um sinal de rádio comunicação ou rádio-navegação do avião, causando interferência ou fading do sinal, tendo o resultado prático de perturbar a comunicação ou causar erros na navegação, o que pode ter um efeito potencialmente desastroso.
A interferência não está restrita às ondas eletromagnéticas que viajam pelo ar. Um cabo lógico utilizado para comunicação entre diversos sistemas da aeronave pode funcionar como uma antena, captando uma onda eletromagnética de um celular ou suas harmônicas,  interferindo na informação conduzida por esse cabo.
Se pensarmos que grande parte das aeronaves atualmente fabricadas possuem comandos de voo primários operados por computador e cabos lógicos, fica evidente a extensão dos problemas que um aparentemente inocente celular pode, potencialmente, causar em um avião.
Até hoje, não se conhece nenhum acidente que, comprovadamente, tenha sido causado por interferência eletrônica de aparelhos celulares, embora haja um bastante suspeito: em 11 de dezembro de 1998, um Airbus A310, operando o voo 261 da Thai Airways, da Tailândia, caiu quando tentava pousar, pela terceira vez, no aeroporto de Surat Thani, Bangkok. A grande quantidade de aparelhos celulares encontrados nos destroços, muitos ainda ligados, levaram à suspeita de que os aparelhos estivessem sendo usados pelos passageiros para avisar seus familiares que o voo estava atrasado.
Os fabricantes de aeronaves e de sistemas eletrônicos estão, obviamente, atentos a essa vulnerabilidade dos sistemas à interferência eletrônica. Diariamente, técnicos e engenheiros testam os sistemas com todos os tipos possíveis de aparelhos celulares, para excluir qualquer possibilidade de interferência. Em alguns países e algumas empresas, já foi possível liberar total ou parcialmente o uso de celular, depois de se descartar qualquer possibilidade de interferência em testes exaustivos.

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