segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Educação


A tradicional e moderna educação na Escola Indígena Colmeia Borari.

 Escola indígena Municipal  de Alter do Chão se destaca com ensino de qualidade sem perder os conceitos e costumes culturais da floresta.




Preservar e valorizar a cultura indígena dos antigos Boraris e as riquezas naturais dos rios, das florestas e do meio ambiente, tem sido um dos objetivos de grande interesse da escola Indígena Municipal de Ensino Fundamental Professor Antônio de Souza Pedroso, que está situada na comunidade de Alter do Chão, polo turístico de Santarém no Pará. A Vila de Alter do Chão, localizada à margem direita do Rio Tapajós, próximo a confluência com o Rio Amazonas, originalmente habitada pelos índios Boraris, sofreu influência da colonização portuguesa, primeiramente denominada de Missão de Nossa Senhora da Purificação e posteriormente de Alter do Chão, nome dado pelos portugueses relacionado com cidades em Portugal assim como em muitos outros locais na região. Foi elevada a categoria de vila em 06 de março de 1758 e sofreu ocupação espontânea decorrente de chegadas de famílias inicialmente da região e posteriormente de vários outros lugares do Brasil e do mundo. Esta vila servia como refúgio para as embarcações e para os pescadores, onde a mesma passou por pequenos ciclos econômicos que evoluíram até sua recente descoberta para o turismo. Devido a sua localização centralizada em um complexo e diversificado ecossistema amazônico, serviu de base para muitas pesquisas nos mais variados elementos, chegando a denominar uma das mais importantes formações de solo amazônico e recentemente a divulgação do maior aqüífero de água doce do planeta.
A escola foi fundada em 30 de maio 1985, mas a partir de 2006, ouve uma grande mudança da temática pedagógica no ensino fundamental dos alunos, com a direção da gestora Maria da Conceição Lima de Sousa a escola foi contemplada a funcionar como educação indígena, pois a comunidade sempre buscou resgatar sua identidade com o auto reconhecimento de sua etnia Borari valorizando a cultura de seu povo.
Segundo a gestora Maria da Conceição, a escola iniciou vários trabalhos de resgate aos conceitos da história dos remanescentes Boraris, um deles foi a temática: conhecendo nosso lugar, onde os próprios alunos buscaram desde do século XVIII uma linha do tempo trabalhando com os mais antigos que sabem contar as histórias do passado, buscando saber como eram os brinquedos daquela época e poder comparar com os de hoje, tentando identificar que modernidade e tecnologias estão fazendo perder os costumes dos nossos antepassados. Este ensino e conceitos, passados desde a primeira à oitava série incentivam os alunos a resgatar esses valores. Outra busca importante foi a do artesanato uma prática que estava adormecida, nesta temática são envolvidos também os pais, que vem até a escola para valorizar e incentivar a cultivar essa prática junto com os filhos, e na educação indígena o pai ensina seus filhos as práticas que vem dos seus descendentes, e essa é a intenção da escola de ensinar também a manter a cultura e os costumes tradicionais, mas sem perder os bons costumes atuais que precisam para encarar o mercado de trabalho e a sociedade, uma fusão que traz um equilíbrio educacional e moral dos alunos na sociedade.
A escola também tem varias outras praticas de conscientizar e ensinar ecologicamente o meio-ambiente da Vila Alter do Chão, um dos berços ecológico, mas importante da Amazônia. Além do ensino em sala de aula os alunos são levados em loco nos lagos, rios e floresta para conhecer de forma consciente os cuidados que tem que ter com a natureza, a turma faz coleta de lixo, aprendem a plantar, aprendem os nomes das plantas e dos animais, aprendendo a fazer a preservação das plantas e dos animais em extinção.
O conselho escolar contribui nas questões burocráticas, pedagógicas e administrativas, um auxilio na direção da escola a desenvolver um trabalho integrado com a comunidade, sendo que as reuniões acontecem bimestralmente, sempre com o objetivo de melhorar a qualidade do ensino e da aprendizagem. Diante disso, procuramos desenvolver o ensino de qualidade para se realizar uma aprendizagem eficaz na formação dos cidadãos conscientes acreditando que a educação é a solução para a maioria dos problemas da sociedade.
Hoje a escola tem 67 funcionários, 37 turmas e 848 alunos de Ed. infantil a 8ª serie, com alunos indígenas e não indígenas.
É pertinente esclarecer que a 'educação indígena de qualidade' é um desafio para o movimento indígena, pois como pensar nesse modelo de educação, quando os Sistemas de Ensino são produtos de uma sociedade que ainda tende a homogeneizar as diferenças. Isto indica que, a educação escolar como o movimento indígena vem articulando, encontra-se dentro do processo de luta indígena e como tal se concretizará gradativamente ao longo dos anos.
Hoje, muitos acreditam que a escola em terras indígenas pode contribuir para que os povos indígenas encontrem um lugar digno no mundo contemporâneo, vivendo em paz, mantendo suas línguas e tradições e repassando-as às novas gerações. Isso será possível na medida em que eles puderem decidir seus próprios caminhos, a partir de relações mais equilibradas com o mundo de fora da aldeia, assentadas, sobretudo, no respeito às suas concepções nativas. E edificar escolas indígenas que possam contribuir para esse processo de autonomia cultural faz, sem dúvida, parte dos diferentes projetos de futuro dos povos indígenas no Brasil.

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