sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Venda clandestina de Pirarucu aumentou nos últimos dois anos!!!

"Sem fiscalização, pescadores ilegais invadem os lagos, retiram os peixes e vendem por um preço mais barato."

O Pirarucu, uma das Maravilhas dos Rios da Amazônia, sofre ameaças

Após 13 anos de trabalho, o primeiro programa de manejo de pirarucu no Amazonas está ameaçado. É o que denuncia a Associação dos Moradores e Usuários da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (Amurmam).
Com o encerramento do período da pesca, metade dos peixes não foram capturados por dificuldades de negociação na venda do pescado.
“Do ano passado para cá ficou muito complicado a negociação nas comunidades. Ninguém consegue entender e a primeira coisa que a gente percebe é que o Estado não tem uma preocupação de trabalhar uma política para melhorar esse sistema nas comunidades”, desabafa Edson Gonçalves, representante do setor Maiana, localizado no Município de Fonte Boa, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Mamirauá.
Em 2013, o quilo do pirarucu, sem as vísceras, era vendido pelo preço de R$ 5,50 até R$ 6. Hoje, os compradores estão oferecendo de R$ 2,50 a R$ 3. Por este valor, os pescadores não conseguem nem cobrir as despesas da captura, que, segundo levantamento da associação, foi de R$ 3,85 no ano passado, incluindo combustível nas canoas motorizadas e alimentação.
“É um trabalho que é realizado o ano inteiro só para o período da despesca. Sai uma equipe, entra outra para fazer a vigilância. E se não tiver valorização, esses pescadores se revoltam e abandonam o projeto. Vai acabar com tudo que a gente construiu ao longo de 13 anos”, lamenta Edson.
O Amazonas tem a maior cobertura florestal do Brasil, sendo que 97,5% das florestas do Estado continuam preservadas por conta das Unidades de Conservação (UC). Todo o Estado possui 43 UC’s, e só na RDS Mamirauá, com 1 milhão e 124 mil hectares e cercado por sete municípios, existem 173 comunidades que sobrevivem do manejo do pirarucu, algo em torno de 11 mil pessoas.
Edson acredita que a extinção do Centro Estadual de Unidades de Conservação (Ceuc) enfraqueceu a fiscalização nas comunidades e o manejo sustentável. Eles reclamam, ainda, da falta de respaldo da Secretaria de Estado de Produção Rural (Sepror).
“Estivemos em um seminário dos manejadores de pirarucu em junho deste ano. Fizemos um investimento grande, cooperação para comprar passagens para 78 comunitários, algo em torno de R$ 20 mil, em vão. É um investimento grande, todos sobrevivem da pesca e se o manejo sustentável acabar, vamos voltar ao zero”, completa Edson.
Eles acreditam que a venda clandestina do pirarucu aumentou nos últimos dois anos. Sem fiscalização, outros pescadores ilegais invadem os lagos, retiram os peixes e vendem por um preço mais barato. A concorrência desleal ameaça não só a principal fonte de renda dos pescadores, mas também ameaça à floresta.
“É muito triste, pois as Unidades de Conservação estão abandonadas em termos de fiscalização. A pressão de invasão está crescendo. Somos os únicos que fazemos a vigilância e não estamos sendo valorizados. A gente faz parte disso, é a nossa floresta, que a gente preserva e mantém em pé, com peixes suficientes para nosso trabalho.Só queremos mais valorização”.
Recursos pesqueiros são essenciais
Com fundamental importância para os meios de vida das populações rurais da Amazônia, os recursos pesqueiros na Reserva Mamirauá são considerados a principal fonte de proteína animal e de renda para as populações ribeirinhas.
Segundo estudos realizados pelo Instituto Mamirauá, a pesca foi a atividade produtiva que mais aumentou sua contribuição para a composição da renda doméstica em dez anos.
O Instituto criou, em 1998, o Programa de Comercialização do Pescado, atual ‘Programa de Manejo de Pesca’, com o objetivo de promover a conservação dos recursos pesqueiros por meio do manejo participativo. Conforme o Instituto, os sistemas de manejo foram implementados como medidas compensatórias às restrições previstas no Plano de Manejo da Reserva Mamirauá, com foco no envolvimento comunitário em todas as etapas do processo.
Desde 1999, o manejo participativo da pesca de pirarucus ajudou a aumentar em aproximadamente 447% o estoque natural da espécie, nas áreas manejadas da Reserva Mamirauá, além do incremento na renda dos pescadores da região, segundo informações do próprio instituto.
Fiscalização complexa em RDS
A Secretaria de Meio Ambiente do Estado (Sema) informou que cuida do monitoramento e conservação da biodiversidade com o desenvolvimento sustentável das RDSs e conta com apoio do Instituto de Proteção da Amazonas (Ipaam), além do Instituto Mamirauá e agentes ambientais voluntários que atuam no monitoramento e fiscalização da RDS Mamirauá.
“Sempre que denúncias chegam ao conhecimento dos gestores, Sema e Ipaam, a fiscalização é acionada para atuar no caso específico. Porém, como a RDS Mamirauá se trata de uma área extensa e alagada em sua maioria, há consequentemente, muitas rotas de fuga para quem realiza pesca clandestina, embora a fiscalização seja constante”.
A pasta informou, ainda, que tem parceria com um grande número de agentes ambientais voluntários, que são os próprios pescadores legalizados e comunitários.
Em números
17 é o número de fiscais da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) para atuar em todo o Amazonas. Segundo a secretaria, a Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Mamirauá conta com dois gestores, número atualizado após a extinção da Ceuc, sendo um no município de Tefé e outro em Fonte Boa.
LUANA CARVALHO, a Critica, Manaus



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