segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Estudantes de Icoaraci fazem levantamento turístico na Ilha de Cotijuba

Para um grupo de estudantes e professores do curso de Hotelaria e Turismo da Escola Estadual de Educação Profissional Professor Francisco das Chagas Ribeiro de Azevedo, o sábado (28) foi um dia especial para visitar e observar todos os atrativos e potenciais que a Ilha de Cotijuba oferece a apenas 45 minutos de barco saindo do Distrito de Icoaraci.

A concentração foi às 8h para garantir a compra das passagens no barco com capacidade para 400 passageiros que sai às 9h do trapiche da Vila Sorriso, onde também ficam ancorados todos os barcos que chegam das ilhas do entorno trazendo o peixe, o açaí e outras frutas regionais que complementam o cardápio da população local.

Durante a travessia, enquanto os visitantes e turistas aproveitaram as paisagens pelo Rio Pará e Baía do Guajará, observando o horizonte de uma parte da Amazônia, formada por uma arquitetura ribeirinha única, com açaizeiros e árvores frutíferas ao lado das casas de palafita e pequenos trapiches para ancorar os barquinhos, os estudantes aproveitavam para executar a primeira parte do trabalho de levantamento do potencial turístico da região.

Ao abordar os visitantes, eles queriam saber o motivo principal de terem ido à Ilha de Cotijuba, se ficam hospedados em casas de amigos ou parentes, sobre as opções oferecidas nos restaurantes e até se reconhecem que, desde 1990, a ilha se tornou uma Área de Preservação Ambiental. As perguntas da pesquisa eram variadas e foram elaboradas em sala de aula, antes da visita técnica.


Chegada - A primeira parada da visita à Ilha de Cotijuba foi para conhecer a ruína do Educandário “Nogueira de Farias”, de onde se originou o estigma que povoou o imaginário da população paraense por muito tempo, de que o lugar era uma espécie de ilha-presídio ou para onde levavam as pessoas consideradas “perigosas” para a sociedade da época.
A fama vem da construção, na década de 30, para abrigar menores infratores numa época em que a criminalidade infanto-juvenil de Belém chegava a índices alarmantes, após o declínio do Ciclo da Borracha. Aumentou mais ainda quando o educandário passou a receber presos políticos na ditadura militar, tornando-se também uma penitenciária a partir dos anos 60.
Os estudantes também andaram pelas ruas da ilha para saber a opinião dos moradores sobre as condições de infraestrutura para os visitantes e a população local, composta por 12 mil habitantes. Depois do bate-papo, foram mais 40 minutos no bondinho, um dos únicos transportes permitidos para trafegar na ilha, para mais uma parada: a ruína da residência Zacarias de Assunção, localizada em frente à praia do Vai-quem-quer e construída na década de 50 para ser casa de praia do governador da época.

No final da pesquisa de campo, os estudantes aproveitaram para relaxar e comer um peixe feito na praia do Vai-quem-quer, considerada uma das mais belas de Belém e que oferece boa infraestrutura de hospedagem e restaurantes. “Achei a praia muito bonita e interessante, mas os patrimônios não são preservados e estão deteriorados”, disse a estudante Luane Correia, de 17 anos, que visita a ilha pela primeira vez.
Trilha Dourada - Segundo o professor Marcos Sousa, a visita é uma parte do projeto Trilha Dourada (www.projetotrilhadourada.blogspot.com.br), que prevê a qualificação do currículo dos estudantes e o levantamento do potencial da ilha com foco no turismo de base comunitária. “Queremos estabelecer parcerias com o Movimento de Mulheres das Ilhas de Belém, que desenvolvem experiências nesse segmento turístico, e com trade turístico, para no futuro viabilizar uma proposta de extensão da escola técnica para Cotijuba e também fazer um guia turístico para a região”, disse ele.
Também participaram da visita as professoras e turismólogas Leslie Xavier e Samara Santos e o historiador Silvandro Nascimento, que subsidiou os estudantes com informações sobre o patrimônio histórico de Cotijuba. “Esse trabalho serviu para orientar os estudantes que o turismo local não é só praia e natureza, mas a valorização do patrimônio histórico que Cotijuba guarda e que precisa ser preservado e não esquecido”, disse ele.
Nota Via Amazônia- Os primeiros habitantes da Ilha de Cotijuba foram os índios Tupinambás, que a batizaram com este nome. Em tupi, Cotijuba significa "trilha dourada", por isso o Projeto estudantil tem essa denominação.
Julie RochaFotos e texto Agência Pará/Divulgação


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