sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Venda do vinho de buriti passa de avô para neto em comércio que existe há meio século na cidade

Comércio do vinho da saborosa fruta regional de cor marrom é um dos principais carros-Chefes da família Santos há quase 50 anos. Tudo começou com Lucimar dos Santos e Manoel de Oliveira, em Manaquiri

David dos Santos representa a 3ª geração de vendedores de buriti (Clóvis Miranda)


É com o marrom amarelado do buriti, entre outras polpas de frutas, que a família do comerciante David Oliveira dos Santos, 35, tira o seu sustento há quase 50 anos.
Ele representa a terceira geração de uma família que comercializa esse tipo de produto desde os tempos em que seus avós, Lucimar dos Santos e Manoel de Oliveira, vendiam as iguarias, ainda na cidade de Manaquiri (a 60 quilômetros de Manaus).
Os avós passaram a tradição para o pai de David, que se chama Neder Oyama, que por sua vez repassou a “missão buritizeira” para  o neto, que faz questão de relembrar essa verdadeira saga. “Tudo começou com os meus avós lá em Manaquiri. Depois começamos a vender aqui em Manaus, na Compensa, Santo Antônio e no mercado municipal Dorval Porto, na avenida Djalma Batista, onde estamos há 20 anos”, conta o neto.
O buriti ao "natural" e já transformado em vinho (Clóvis Miranda)
Dona Lucimar já é falecida. Já “seu” Manoel, que é descendente de italianos e peruanos, hoje está com 75 anos, ainda vende buritis no Santo Antônio e vai, vez por outra, ao mercado Dorval Porto para ajudar Neder e David, que tem mais quatro irmãos e oito tios.  “Começamos primeiro com o açaí e o buriti acabou sendo uma consequência”, contou David, durante a entrevista, com “um olho na reportagem e outro na clientela”.
DE GERAÇÃO A GERAÇÃO
David casou cedo, aos 17 anos, e pouco tempo depois virou pai. Foi quando começou a trabalhar com o pai. Lá se vão mais de 20 anos, outras  três crianças nasceram, sendo que o mais velho, Lucas,  tem 16 anos. O rapaz já sabe vender, mas ainda não atua diretamente no comércio, conta David, que prefere deixar nas mãos do garoto a decisão de seguir ou não com o ramo.  “O que ele decidir fazer eu vou apoiar, inclusive se ele escolher outra coisa melhor. Mas vamos continuar com o negócio, pois isso está no sangue. Não tem pra onde correr”.
PRODUÇÃO
A produção do buriti é feita a partir da compra do produto, extraído em  cidades do interior, como Manaquiri, Anorí, Codajás e Itacoatiara. Diferente do açaí, cujo suco é produzido a partir de uma máquina despolpadeira, o processo de produção do buriti é artesanal e inclui, primeiro, a ralação do buriti em uma peneira (após o fruto ter sido fervido em água), para a obtenção da polpa. Só depois disso é que ela vai para a máquina, para ser transformada em suco, o popular vinho de buriti.
Além dos pontos localizados no mercado Dorval Porto, a venda dos buritis dos “Santos” também ocorre em pronta-entrega em forma de garrafas, em academias e lanchonetes, por exemplo, nesta que já é uma expansão dos negócios da família. “O importante é de termos a satisfação em vender um produto bom para os meus clientes, de vê-los satisfeitos. Inclusive, muitas pessoas vêm de fora, de Brasília e Fortaleza, e até dos Estados Unidos, para comprar meus produtos”, destaca David, que ressalta a necessidade da higiene na venda das bebidas.
“Aqui é tudo limpinho, com higiene total. Recomendo que as pessoas que vendem produtos como buriti e açaí tenham higiene total com o que fazem. Que trabalhem com dedicação. Pois, se uma pessoa passar mal e for constatado que foi pelo produto que vendeu, é melhor fechar as portas”, conta ele.
No mercado municipal, a família de David vende o litro do buriti a R$ 7. Somente de sexta a domingo os Santos chegam a comercializar 50 litros  do produto.
PAULO ANDRÉ NUNES/ A CRITICA, MANAUS



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