sexta-feira, 23 de outubro de 2015

“Região do Tapajós já explorou 800 toneladas de ouro”

Dirceu Frederico Sobrinho, presidente da ANORO, afirma que região do Tapajós ainda pode explorar mais de 2 mil toneladas de ouro


A entrevista especial dessa semana é com o empresário e minerador Dirceu Frederico Sobrinho, presidente da Associação Nacional do Ouro (ANORO), com larga experiência e vivência de mineração, fruto de suas atividades comerciais nestas mais de duas décadas morando em Itaituba. O empresário aborda vários temas relacionados à nossa economia e ao desenvolvimento da região considerada por ele promissora. Iniciando pelo advento dos portos, o empresário acredita que esse investimento vai ajudar muito na logística da região no que concerne a geração de empregos diretos, pois aposta também que isso trará fábricas de ração, esmagadoras de grãos a médio prazo, tendo em vista que o preço do combustível aumentou consideravelmente com a implantação de vários postos e obviamente trazendo receitas ao Município através dos impostos como ICMS, ISS e outros, com esse fluxo tributário se refletindo positivamente no FPM.
Para as hidrelétricas o presidente da Anoro acredita que em 2017 Itaituba e região virarão um canteiro de obras,
embora analise que essa onda de corrupção no País com o escândalo do Lava jato possa arrefecer investimentos, mas por se tratar de uma obra de grande envergadura em sua licitação estarão presentes grandes empresas, inclusive empresas da China com know how, (conhecimento), nesse segmento. Já em relação à economia local, o empresário não tem qualquer dúvida que o pilar, a base ainda é a produção aurífera, atividade garimpeira que tem atraído projetos de pesquisas de empresas de mineração, entre elas mina do Palito, (Serabi) São Chico e também a Tocantinzinho que já está efetuando exploração em grande profundidade do ouro primário, com a rocha pesquisada, moída que exige alto investimento em pesquisa e projetos, mas que compensa.
Apesar do País está falando muito de crise, o empresário avalia com otimismo nossa região, enfatizando que Itaituba ainda é o Oásis do Brasil, mesmo numa época de inflação e desemprego, a alta do dólar valoriza ainda mais o ouro. Mas, além do ouro, Dirceu também defende seu ponto de vista vendo também na exploração da madeira uma excelente fonte de receita e ressalta, por exemplo, que em Moraes Almeida há dois grandes projetos licitados em produção devendo gerar volume suficiente para movimentar 10 serrarias com previsão de suas atividades para o próximo ano, já que se trata de um eixo econômico com madeira explorada em florestas através de licitações públicas.
PECUÁRIA: Dirceu Frederico que também investe em fazenda, disse que a pecuária vem crescendo muito em nossa região em termos de quantidade e qualidade, apostando nessa economia como sendo para Itaituba a terceira opção para fomentar e ajudar a aquecer nossa economia. Mas, sobre distribuição de rendas o empresário elege o ouro como principal economia, já que o que circula com a venda do ouro beneficia vários outros segmentos econômicos, lembrando que, por exemplo, uma fazenda gera quatro empregos enquanto que um quilo de ouro costuma envolver de 4 a cinco pessoas em sua produção.

Mas, para minimizar as ações repressoras no âmbito das leis ambientais, o presidente da Associação Nacional de Ouro (ANORO) não tem dúvidas que a legalização da atividade garimpeira é a única saída para que assim sejam evitados prejuízos para aquela que é a principal fonte de renda de Itaituba, já que a exploração aurífera de fato e de direito é a maior fonte de rendas do Tapajós, historicamente em mais de meia década.
Dirceu nos repassou nesta entrevista um dado importante, um dado oficial quando afirma que nestes 64 anos de garimpagem já se produziu cerca de 800 toneladas de ouro, restando ainda mais de duas mil toneladas a ser exploradas, considerando que somente uma tonelada equivale a 37 milhões de dólares, aumenta consideravelmente esse valor para 100 bilhões e setecentos mil dólares, somente na exploração de 100 toneladas, o que mostra o fantástico potencial econômico gerado pelo ouro, acreditando que isso ainda poderá atingir uma exploração na ordem de mais de 300 bilhões de dólares. Com base nesses números estratosféricos o empresário lembra que o ordenamento do setor também é gigantesco.
Em sua vasta experiência e conhecimento baseado em mais de 30 anos de região (o empresário é goiano, de Anápolis, mas consolidou sua vida familiar e empresarial toda em Itaituba) Dirceu Frederico, que é formado em Administração de Empresa, reitera que se faz necessária o quanto antes a legalização no setor, com formação de profissionais técnicos, tais como engenheiros de minas, geólogos, operadores de equipamentos, e todo suporte necessário ao conhecimento do setor para que também possam trazer riquezas à população local, já que tal processo de investimentos trará milhares de empregos e melhor qualidade de vida, nascendo assim o reconhecimento da importância do setor mineral que tem um único produto que é o ouro, mas que gera imensas riquezas, se somados a exploração do diamante, cassiterita, tantalina, minério de ferro, topázio e ferro de cobre, tornará definitivamente nossa região a de maior potencialidade econômica do País.
Mas, a reboque dessas inovações necessárias a uma nova fase da exploração garimpeira, o empresário ressalta que se faz necessário que Itaituba tenha visão administrativa, moderna e clássica, com políticos (em todas as esferas de governo) que possam direcionar esse desenvolvimento sustentável de maneira que seja capaz de fazer uma distribuição de riqueza equânime e igualitária.
ANORO: O empresário Dirceu Frederico Sobrinho hoje preside uma das entidades de maior prestigio nacional e internacional, que é a Associação Nacional do Ouro, com sede em São Paulo. E na condição de presidente, o empresário tem feito importantes intervenções técnicas-políticas visando o crescimento e modernização da garimpagem na região do Tapajós. Para Dirceu, já chegou a hora de se implantar um novo modelo de exploração e isso tudo passa pelo chamado marco regulatório que vai ampliar uma nova discussão, que segundo ele, ainda não foi votado pelo Congresso, mas que nessas novas rodadas de discussões a ANORO como as demais entidades ligadas ao segmento mineral terá importante papel para que seja dada nova viabilidade à exploração garimpeira no Brasil.
Dirceu destaca a participação da ANORO pelas propostas e subsídios que tem contribuído para que possamos ter leis modernas e avançadas, que possam colocar no devido lugar a grande importância que a mineração tem representado para a região e para o País. Outra grande contribuição que a ANORO vem dando para o setor mineral, conforme enfatiza seu presidente, é a campanha nacional de cadastramento dos garimpeiros, uma campanha que já vem sendo feita há mais de dois anos quando a entidade mostrará ao País a cara da garimpagem, porque até hoje o governo federal desconhece a quantidade de pessoas que estão ligadas diretamente a essa economia. Para isso, todas as DTVSM do País estão engajadas na campanha, no Tapajós é a D Gold no final será sistematizada a informação oficial juntando o cadastramento de todas as regiões do País numa espécie de Banco de Dados.
Com o término desse cadastramento e com o número exato e oficial de garimpeiros em atividade no País. Dirceu acredita que o governo federal irá valorizar e agilizar mais ações em forma de investimentos para uma categoria que tem sido de fundamental importância para a economia do País. Dirceu acredita que isso irá também dar visibilidade ao garimpeiro principalmente quando ele precisar de benefício previdenciário para efeito de aposentadoria, tendo em vista que de fato e de direito ele já é reconhecido como um profissional respaldado no Estatuto do Garimpeiro, hoje sendo uma classe altamente produtiva.
Por: Nazareno Santos/ RG 15/ O IMPACTO


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