segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Amazônia em gritos de sobrevivência contra Turismo predatório, sem ser ouvido.

A moeda do turismo, apesar de forte, não possui múltiplos econômicos no verde vivo da Amazônia. O turismo receptivo ecológico deixa marcas de destruição em áreas que deveriam ser preservadas e desgaste na fiscalização municipal, que nada faz diante da ação nefasta de pessoas mal educadas. 

Foi criado um mercado específico que envolve quantidade de recursos investidos, atraindo a cobiça de muitos que anseiam tomar parte desse filão mercadológico, muitas pessoas querem fazer parte desse mercado.
Contudo, apesar de trazer turistas e seus consequentes recursos em potencial para a região Amazônica, a falta de organização dos órgãos de fiscalização governamental faz com que o nicho de mercado turístico fique restrito a pouquíssimas pessoas. Além disso, há uma série de problemas criados pelo turismo que comprometem tanto a integridade dos locais visitados quanto o equilíbrio das diferentes comunidades visitadas.  O turismo ecologicamente correto demanda infraestrutura, caso contrário traz mais malefícios do que benefícios para a região que recebe o turista.

Visitantes de diversas regiões do município, do Estado e até originários de outros países, que tanto escuta falar das belezas Amazônicas, quando chega,procura informações sobre a história das localidades que quer visitar. Entretanto, nunca, ou quase nunca, encontra fora das capitais, museus ou centros de acolhimento ao turista onde estejam disponíveis informações sobre as atrações turísticas e/ou os procedimentos corretos a serem seguidos.
O turista, às vezes frustrado, começa sua busca por informação de maneira casual, através de indicações de funcionários de hotéis e restaurantes, taxistas ou barqueiros. Como não há regras claras, o turista acaba tendo contato de maneira negligente com locais que deveriam ser protegidos ou interagindo de maneira predatória com o meio ambiente, deixando lixo, danificando monumentos e locais históricos importantes, dando margem á comércios ilícitos, impactando a estabilidade de comunidades pequenas, etc.

Apesar de bem intencionado, o turista sem orientação muitas vezes tira artefatos ou fragmentos de objetos dos sítios arqueológicos ou "deixa sua marca" nas construções ou registros rupestres. Esse impacto pode parecer insignificante no início, mas com o tempo e com o aumento de visitantes, leva à destruição permanente do patrimônio arqueológico (e ambiental)! que é um bem de toda a União. Muitos desses monumentos naturais destruídos nunca foram selecionados e estudados, sendo a perda completa, pois sítios arqueológicos são únicos, não existindo a possibilidade de recriá-los. Dessa maneira não só os vestígios antigos que são destruídos, toda a história da região perde com a falta de controle.

Além de todos os problemas mencionados, temos outra situação que poucas vezes é levada em consideração: a própria segurança do visitante. Animais peçonhentos, afogamentos e quedas são apenas alguns dos riscos.
Diferentes municípios vêm procurando sanar essa questão. O caso de Monte Alegre-PA é emblemático, pois, reúne diversos atores preocupados tanto com o patrimônio arqueológico quanto com o potencial de desenvolvimento regional.
Em locais como no município de Monte Alegre a presença de elementos arqueológicos únicos e extremamente precioso para a história fomentou a criação do Parque Estadual. Após a criação dessa Reserva, foi feito um projeto para viabilizar a visitação de forma controlada (para não impactar os sítios arqueológicos), que permitisse uma distribuição de renda para as comunidades próximas à área do Parque (abrindo a possibilidade de várias pessoas tirarem benefícios econômicos do turismo), além de fornecer informações sobre o passado.

Anos se passaram após a liberação do recurso para construção da infraestrutura necessária, até que por pressão popular (liderada pela vereadora Lucia Braga) e acadêmica (liderada pela pesquisadora Edithe Pereira) finalmente em maio de 2015 foi lançado o edital para contratação de empresas que realizarão as obras necessárias. Assim, tanto o turista receberá a informação procurada quanto os comunitários terão acesso a recursos mais bem distribuídos e o patrimônio arqueológico ficará protegido para as futuras gerações. 

Esperamos que essa empreitada seja muito bem sucedida e que ao proteger nosso patrimônio histórico e natural também possamos criar contextos que tragam benefícios reais à população.

Por: Anne Rapp Py-Daniel, Arqueóloga
Universidade Federal do Oeste do Pará

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