sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

FOTOGRAFANDO A SELVA!!!

"Surpresas, dicas e truques de sua experiência fotográfica na selva; desafios no registro do cotidiano da fauna e flora amazônica"


 Embrenhar-se na floresta amazônica, ficar dias, semanas e até meses longe da civilização faz parte da vida do fotógrafo Paraense Hely Pamplona. Estar literalmente envolvido pela natureza propiciou a ele várias imagens raras e interessantes da fauna, flora e das pessoas das mais diversas regiões da Amazônia, desde as Capitais, aos recantos mais improváveis, onde a fauna e flora apresentam raras e inusitadas formas de expressão.

 Pamplona vende suas fotos para agências de publicidade, revistas, jornais e faz trabalhos para prefeituras, entidades e empresas. Hely esta montando um banco de imagens para comercializá-las nos grandes centros. Diz que, para quem curte foto de natureza, a Amazônia é o paraíso. Mas, fotografar na floresta exige uma boa preparação antecipada. "Deve-se ter o máximo de informação sobre a região, os costumes, o clima, os animais, as doenças tropicais, os perigos... E não adianta levar um monte de equipamento. Opte pelo básico sempre com uma boa teleobjetiva acondicionado em uma mochila de tamanho médio, impermeável", explica o artista.

Conhecer os hábitos das espécies, descobrir onde os animais dormem, comem e bebem água, é outra dica do fotógrafo paraense, que se relaciona com nativos das diversas regiões onde vai trabalhar, e os contrata como guias. "Os caboclos, gente da terra, sabem muito sobre isso e podem ajudar. Quem não conhece a região deve sempre ter um deles ao lado para não cair em armadilhas da natureza", adverte.
Como chove bastante na Amazônia e há muitos deslocamentos através dos rios, Pamplona leva o equipamento dentro de uma caixa de isopor com a tampa bem fechada por meio de mangueiras de borracha "tripa de mico". "Além de proteger da umidade e ser impermeável, a caixa fica boiando caso caia n'água", diz. Estas são algumas dicas do renomado fotógrafo, que têm no embrenhar-se na mata a sua lida cotidiana, onde com sua Habilidade e talento, registra imagens interessantes e incrivelmente belas do ambiente Amazônicos.

Para tentar fotografar onças "atocaiado", o paraense ensina que deve se usar um "mutá", estrado feito com varas e folhas, montado sobre uma árvore de galhos finos, mas resistentes. "Se fizer em árvore de galho grosso, a onça sobe", explica. A melhor foto de onça que já fez foi a partir de uma canoa: ele no rio e a onça na margem, descansando. Outra dica do fotógrafo, caso um dia você se veja diante de uma onça: "quando ela vai atacar, a  cartilagem da orelha estala. É o sinal, pois o barulho é forte".
BATUQUE NA FLORESTA
Além de fazer "mutá", outra tática do fotógrafo para não ser percebido pelos animais na floresta e camuflar-se com folhas numa espécie de "cabanas" e fazer o "batuque". A técnica e copiada de animais como cotia e veado. "Quando acham árvores frutíferas, em lugar seguro, batem com uma das patas dianteiras nas folhas secas espalhadas no chão, num ritmo próprio, alertando os demais", conta.
O "batuque" também e percebido por pássaros e macacos, e funciona como um código da floresta. "Faço batuque com gravetos de pau e fico na espreita para fotografar", diz.O truque foi ensinado a ele por um caboclo( "sujeito do mato que nunca tinha ouvido falar de Pelé")que, por sua vez, havia aprendido com os índios.
Pamplona tem uma atuação também ecológica: procura concientizar as populações das comunidades no interior do Pará sobre a luta contra o contrabando de animais, de madeira e de plantas medicinais da Amazônia. "Já fui ameaçado de morte por isso. Tive que ficar escondido por meses na floresta", revela. Como anda com a câmera na mão quase o tempo todo, ás vezes é confundido com um "espião do Ibama"... e ameaçado, caso tire fotos comprometedoras.

"Há muita devastação aqui no Pará. Passo por lugares cheios de bichos que, três meses depois, viram pasto para criação de gado. Queimam tudo, sem cerimônia", lamenta Pamplona. Inconformado, segue a rotina de passar mais tempo internado na selva que em Belém, fazendo pregações ecológicas, construindo "mutá" e morrendo de medo de onça. 
Da redação/Via Amazônia

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